Fogo cruzado no Alemão e uma palavra de paz de Ariadne Coelho

//Fogo cruzado no Alemão e uma palavra de paz de Ariadne Coelho

Sempre tive necessidade de cruzar fronteiras, Não sou bandeirante nem desbravador, o que me move é saber o que eu ainda não sei, principalmente sobre as pessoas.  A linha da maldade não me emociona não quero conhecer o demônio. Não quero conhecê-lo, mas quem sofre suas maldades, esses sim, as vítimas, elas me interessam.

Trabalhei na comunidade do Vidigal, durante  4 anos. No meio do conflito de disputa de poder dos comandantes do tráfico. Fui produtor de eventos e fiz shows de musica popular e fiz shows em diversas comunidades da cidade e muitas vezes me vi frente a frente com o crime organizado e com as mazelas que passam os seres humanos que vivem em área de risco em comunidades de baixa renda.

Quando acertei o convite para trabalhar na candidatura de Ariadne Coelho para deputada estadual. Interessei-me além da plataforma que envolvia crianças e mulheres, o fato de ver até onde iria aquela linda mulher sempre muito bem tratada e envelopada pela grifes da moda.  Me encheu de curiosidade observar até onde ela poderia chegar e quais eram seus verdadeiros motivos.

Ariadne me surpreendeu. Várias vezes estivemos no Complexo do Alemão. Fomos a campos minados. Pessoas da comunidade nos levavam pela mão e Ariadne dizia eu quero entrar aqui, quero ir lá, muitas vezes fomos recomendados a não ir. Ariadne então, dizia, e até aquele pedaço ali eu vou. Assim, vi que uma mulher que está acostumada com seus luxos pode muitas vezes olhar com dignidade sem medo e se reconhecer ali.

“Se a vida tivesse sido diferente para mim”, muitas vezes vi Ariadne se perguntar e se eu dependesse do Estado para meu filho ter um médico. Muito triste tudo isso, ela falava. Por isso decidi colocar esse post com os votos de Feliz Páscoa que Ariadne postou na sua página no facebook.

Estive 4 vezes em 2014 no Complexo do Alemão durante a minha campanha a candidata a deputada estadual. Fui bem tratada por todos com que conversei. Falei com todos com quem tive oportunidade. Ouvi reclamações sobre falta de postos médicos e violência policial. – Eles chegam atirando e depois perguntam. Foi o que mais eu ouvi. Um clima que antecede a uma guerra é o dia a dia da comunidade até que a guerra explode matando inocentes. Uma grande animosidade contra o governo estadual é o legado dos últimos governos.

Sergio Cabral e Pezão não tem vez no Alemão. Não há um trabalho social, comunitário que aconteça dentro do Complexo do Alemão. O descaso das autoridades é visto principalmente nas reclamações contra o ensino e a saúde. Faltam cursos de capacitação profissional, emprego e saúde. O tráfico de drogas anda solto por entre as vielas das comunidades. É o atalho fácil para um caminho sem volta da marginalidade. As mães sofrem vendo seus filhos criados no meio a tanto descaso.  Poder público e a sociedade assiste a revolta dos desvalidos. Peço a Deus por essas mães e pelas mulheres que perdem seus filhos sem ao menos eles crescerem.  Que a páscoa chegue às casas desses cidadãos trazendo um pouco de paz que eles tanto merecem.

Ariadne Coelho

Ariadne Coelho e as crianças do Complexo do Alemão

Ariadne Coelho e as crianças do Complexo do Alemão

 

 

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