O Instituto Tomie Ohtake apresenta “ARTE ATUAL – FRATURA” nessa quinta 15/03

On 12 de março de 2018 by Ze Ronaldo

No próximo dia (15/03) o Instituto Tomie Ohtake inaugura a exposição do programa  “ARTE ATUAL – FRATURA”.  O Arte Atual é uma plataforma para pesquisas artísticas, de caráter experimental, na qual, por meio de uma questão sugerida pelo seu Núcleo de Pesquisa e Curadoria, coordenado por Paulo Miyada, um grupo de artistas convidado desenvolve um novo trabalho.

Nesta sétima edição do programa, que conta com o patrocínio da Recovery, a partir das obras de Adriano Costa, Arjan Martins e Juliana Cerqueira Leite, os curadores propõem questionar as urgências do tempo presente e seu apego à própria descartabilidade. “Em uma época que resiste a planejar seu futuro ou a conhecer seu passado, talvez seja o momento de questionar a fugacidade do que se propaga ao redor: e se nada – nenhum produto, nenhum corpo, nenhuma história – for tratado como descartável? ”, analisa Miyada.

Em suas obras, o paulistano Adriano Costa lança mão de objetos e imagens banais hoje produzidos, consumidos e supostamente esquecidos, para, como aponta a curadoria, recombiná-los até a lógica dos produtos fraturar o fazer artístico e vice-versa. “Até o ponto em que se possa perceber que os artefatos, imagens e ideias mais avançados na cadeia produtiva atual são materiais do presente e podem ser já a memorabilia das ruínas que existirão no futuro”.

Já o carioca Arjan Martins, em sua pintura, reconfigura valores de ícones já capturados por narrativas fáceis de consumir e símbolos de grande circulação social, especialmente relativos à história da colonização do Brasil e às visões e versões sobre a imigração e a escravidão africanas. “Em cartografias pintadas, procura, por exemplo, o avesso do papel heroico atribuído às caravelas e outros baluartes do projeto colonial, ao mesmo tempo em que se questiona a constante representação de imigrantes como alquebrados subalternos”. Miyada acrescenta: “sabendo ainda que, assim como a tinta sobre a tela, todo esforço crítico tende a escorrer no regime vigente de consumo de todo tipo de imagem”.

Por sua vez, Juliana Cerqueira Leite, artista nascida em Chicago e que atualmente reside em Nova York, faz do próprio corpo molde, motor e matriz. Peças desse corpo esculpidas constroem uma ponte entre a obra e a identidade desse mesmo corpo. De acordo com a curadoria, a artista imprime sequências de movimento e empilhamentos de gestos em esculturas que, por um lado, vão além do reconhecimento de sua anatomia e, por outro, dependem do confronto físico direto com a resistência e plasticidade da matéria que molda sobre si: a ação não exprime uma ideia, mas imprime posições.

 

“Com estratégias tão diversas, esses três artistas arriscam-se a colocar-se em rota de colisão com o presente, não para capturá-lo ou vencê-lo, mas para deixar-se fraturar com seu empuxo e, assim, criar rastros para sua voracidade”, completa Miyada.

Fotos Divulgação

Obra de Arjan Martins

Obra de Arjan Martins

Juliana Cerqueira Leite

Juliana Cerqueira Leite,

Adriano Costa

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