Instituto Moreira Salles traz de volta para o Brasil fotografias do Amazonas do século XIX de Albert Frisch

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Instituto Moreira Salles traz de volta para o Brasil fotografias do Amazonas do século XIX de Albert Frisch


São 98 imagens produzidas em uma expedição, entre 1867 e 1868. O conjunto foi comprado no dia 3 de outubro, em um leilão na Sotheby’s, em Nova York

O Instituto Moreira Salles acaba de adquirir um conjunto de 98 imagens do fotógrafo alemão Albert Frisch (1840-1918), realizadas entre 1867 e 1868, na Amazônia. A série foi comprada no dia 3 de outubro, em um leilão na Sotheby’s, em Nova York. O IMS pagou US$ 81.250,00 pelas imagens. Segundo a casa de leilão, esse foi o maior valor alcançado pelas obras de Frisch, um novo recorde mundial de preço.

O conjunto de fotografias é considerado um dos primeiros registros conhecidos da flora, da fauna e dos índios brasileiros que habitavam o local. As imagens foram produzidas por Frisch durante uma expedição fotográfica na Amazônia, em 1867. A viagem foi comissionada pela Casa Leuzinger, estabelecimento comercial onde Frisch trabalhava.

Segundo informações de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger em 1869, Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro, descoberto recentemente nos arquivos da Biblioteca Nacional, Frisch percorreu, durante 5 meses, 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes de barco, acompanhado por dois remadores, de Tabatinga a Manaus.

O fotógrafo documentou plantas e animais. O maior número de imagens, no entanto, registra os povos indígenas de tribos da região. Junto às fotografias, incluiu informações como relações de parentesco e status social dos líderes indígenas registrados.

Frisch possuía uma grande habilidade técnica, viajando com um laboratório portátil. Segundo o pesquisador Pedro Karp Vasquez, ele fotografava seus modelos, em alguns casos, diante de um fundo neutro e produzia separadamente algumas vistas para compor o segundo plano. Para realizar as cópias fotográficas, combinava os dois negativos, alcançando assim o resultado desejado.

Após o término da viagem, as imagens foram editadas e distribuídas pelo editor e fotógrafo Georges Leuzinger, sediado no Rio de Janeiro. As fotos foram comercializadas com sucesso, atraindo o interesse de estudiosos e viajantes europeus, principalmente pelo seu caráter etnográfico.

Os registros da Amazônia feitos por Frisch integram a coleção de várias instituições, como o Leibniz-Institut für Länderkunde, em Leipzig, a Brown University Library, em Providence, o J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, e o Ibero-Amerikanisches Institut, em Berlim.  

O Instituto Moreira Salles já possuía, em seu acervo, cerca de 40 imagens de Frisch realizadas na mesma expedição. Com essa nova aquisição, o IMS amplia esta importante coleção.

 

Até o final do século XX, o alemão Albert Frisch era um personagem misterioso na história da fotografia. O estudo dos documentos reunidos pela família Leuzinger, doados ao IMS em 2000, e a posterior localização de Klaus Frisch, neto do fotógrafo, pelo pesquisador Frank Stephan Kohl, permitiram reconstituir a trajetória de Frisch.

 

Fotos Divulgação

Crédito: Albert Frisch
Legenda: Résultat d’une expédition photographique Sur le Solimões ou Alto Amazonas et rio Negro [Resultado de uma expedição fotográfica pelo baixo Solimões ou altoAamazonas e pelo rio Negro]

Crédito: Albert Frisch
Legenda: Résultat d’une expédition photographique Sur le Solimões ou Alto Amazonas et rio Negro [Resultado de uma expedição fotográfica pelo baixo Solimões ou altoAamazonas e pelo rio Negro]

Crédito: Albert Frisch
Legenda: Résultat d’une expédition photographique Sur le Solimões ou Alto Amazonas et rio Negro [Resultado de uma expedição fotográfica pelo baixo Solimões ou altoAamazonas e pelo rio Negro]

 

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