O empresário Eric Schauss conta para o site suas aventuras na Africa do Sul com guepardos e leões

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O empresário Eric Schauss conta para o site suas aventuras na Africa do Sul com guepardos e leões


 O carioca Eric Schauss é um cara normal, ele não é visto nas baladas. Só as imperdíveis. Ele trabalha duro na empresa da  família e mora Vargem Grande. A natureza e o estilo free spirit é o seu lema. Curtiu um pouco a vida de modelo. Fez trabalhos pontuais, mas a sua vocação é seu estilo de vida próxima à natureza e agora em setembro fez a viagem dos seus sonhos. Eric monta e tem cavalos em um haras perto de casa. Monta quando dá e às vezes acorda muito cedo só para ir ao Haras e ver seus cavalos e conversar com eles. Seu sonho era conhecer a África e Eric escolheu de presente de aniversário, fez 28 anos e partiu  para o seu safári ecológico. Ele contou a estória de como foi esses dias de aventura e diversão para nós do site. Seu  próximo desafio é escalar o Pico Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, aqui na serra fluminense.  

Eric Schauss

Como posso descrever minha viagem pra África do Sul? Simplesmente como minha melhor viagem até hoje! Confesso que sou um pouco suspeito para dizer, desde garoto ficava horas assistindo Animal Planet e imaginando como seria estar lá um dia. Foi realmente a realização de um sonho e que superou todas as minhas expectativas e quero voltar. Não sou muito fã de grandes cidades, sempre preferi a natureza e tento fazer um roteiro diferente do comum!

Agora chega de enrolar e vamos lá! Comprei minha passagem com 10 meses de antecedência, numa promoção pelo site passagens imperdível, o que me permitiu pesquisar bastante sobre os lugares que queria ir e mudar o roteiro umas 10 vezes.

Cheguei a Johanesburgo voando de São Paulo pela South African Airways  e fui direto para Lion & Cheeta Sanctuary, onde fiz trabalho voluntário com leões e guepardos, um dos lugares mais esperados da viagem e que fez jus à expectativa.  Fechei o translado do aeroporto para o santuário direto com eles, pois estava um pouco preocupado de alugar um carro para dirigir na mão inglesa, mas se fosse para lá novamente, sem dúvida alugaria (fiquei pouco tempo no santuário e poderia ir de lá direto pro Kruger se estivesse de carro, acho até que seria mais barato).

Lion & Cheeta Sanctuary

Chegando ao santuário, fomos direto para o cercado onde ficam dois guepardos mais velhos, um deles estava sendo atendido por uma equipe de veterinários, pois estava com dificuldades para comer devido a uma inflamação na gengiva. Lá me falaram que é normal esse tipo problema nessa idade e que normalmente, os guepardos não vivem tanto tempo na natureza. 

Depois de acompanhar os veterinários e ajudar a carregar o guepardo sedado, já estava me sentindo num programa do Animal Planet. Fui conhecer as instalações do santuário. A suíte onde fiquei é linda, com decoração típica africana e direito à banheira e tudo!

O LEÃO ALBINO

Todas as refeições estavam inclusas na diária, a equipe de lá faz apenas o jantar, mas você tem a cozinha, a dispensa e uma câmara frigorífica a sua disposição para preparar seu café da manhã, almoço e lanches durante o dia. Na parte da tarde, quando os outros voluntários retornaram de um passeio a cavalo, fomos alimentar os animais e ficar um tempo com os 3 guepardos que estão lá desde que nasceram. Que sensação incrível estar ali e poder interagir com os animais mais rápidos do mundo, eles chegam até 115 km/h, um fato curioso é que não há relatos de ataque de guepardos a seres humanos.

À noite, todos se juntam na sala ao redor da lareira para se aquecer, conversar, beber e jogar algum jogo. É uma ótima oportunidade de conhecer mais da cultura de outros lugares, afinal tinha gente da Itália, Alemanha, Reino Unido e vários outros lugares, eu era o único brasileiros naqueles dias.  A melhor parte da noite era quando estava no meu quarto e conseguia ouvir os leões rugindo.

No dia seguinte, caminhamos com os guepardos, fizemos uma ronda pelo santuário,  um mini safári ao redor da área de conservação onde ele fica anexado e observamos os leões. São 2 leoas e 1 leão branco, que é o animal mais lindo que já vi na vida! Eles ficam numa área de 9 hectares e não podemos interagir com eles como fazemos com os guepardos, mas sábados eles são soltos em volta da casa principal, o que permite uma aproximação maior ainda pretendo voltar para ver como é. Além disso, eles também tem 3 mangooses, 2 caracals e 2 cavalos na propriedade, então sempre tem alguma coisa para fazer.

Os elefantes no Knysna Elephant Park

No terceiro dia fui embora cedinho, rumo ao aeroporto novamente, onde a agência que eu havia contratado para o safári no kruger me pegaria às 7h. São 6h em média do aeroporto para o Pretoriouskop, alojamento que fiquei dentro do parque nacional, no caminho fizemos uma parada num posto de gasolina que tem uma vista sensacional, com direito a 2 dos big five (búfalo e rinoceronte) é melhor já garantir e ver o rinoceronte por ali porque teve muita gente que não teve a sorte de ver eles nos safáris! haha além disso, a loja de souvenirs tem um preço bem em conta comparado às lojas dentro do Kruger.

Chegando ao acampamento, fui muito bem recebido, eles entregaram uma toalha úmida e uma taça de um suco de fruta tradicional de lá para você se refrescar, passaram algumas instruções, informaram o horário do primeiro safári e mostraram a barraca onde eu ficaria.

Escolhi a opção de acomodação mais simples porque, para mim, faz mais sentido e é uma imersão maior na natureza, ficar numa tenda de frente para o mato do que numa suíte. Achei muito legal abrir a tenda e ver um babuíno do outro lado da cerca, sem falar nos macaquinhos que ficam pelo acampamento esperando alguém bobear para roubar comida, mas existem opções para todos os gostos e bolsos. Os acampamentos têm uma boa infraestrutura, com direito a churrasqueira, banheiro com água quente, restaurante e loja de conveniência. 

Knysna Elephant Park

Fiz no total 4 game drives (1 noturno, 1 no amanhecer e 2 durante o dia), à principio,  eu ficaria apenas 2 dias no Kruger, mas na hora de ir embora, achei que ainda tinha muita coisa pra ver e resolvi esticar mais um dia. Consegui ver 4 dos big 5, só não vi o leopardo. Aconselho a ir no inverno, por mais que seja um pouco sofrido o frio na hora do nascer do sol (para amenizar o frio, a empresa que fui, entrega um poncho e uma bolsa de água quente para aquecer as mãos. No começo achei que era exagero, mas foi muito bom, a chance de ver os animais é maior por conta da vegetação mais rasteira, além dos bichos não ficarem tão escondidos para se proteger do calor.

Depois do Kruger, voltei para o aeroporto de Johanesburgo com o transfer da agência e peguei o carro que tinha alugado. De lá, peguei a estrada rumo ao sul, para a cadeia montanhosa de Drakensberg e Lesotho, o país mais alto do mundo. Fiquei apenas três dias por lá, pois ainda tinha a Garden Route e queria ficar alguns dias na Cidade do Cabo, mas foi uma parte bem marcante da viagem. Fiquei no Amphitheather Backpackers Lodge, um hostel muito legal, que tem desde camping a suítes de luxo. 

No dia seguinte, acordei cedinho e fui para Lesotho, num passeio organizado pelo próprio hostel, um país muito simples, onde a maioria das casas (pelo menos na parte que fui) não tinha nem luz sei que eles têm uma parte mais luxuosa, onde fica o único ski resort da África. Foi bem interessante conhecer o xamã da vila e ver a cultura local! 

No outro dia, fiz o trekking do anfiteatro, considerado um dos 10 trekkings mais bonitos do mundo pela National Geographic, tem uma vista que é realmente de tirar o fôlego! Fui com outro carioca, que estava dando a volta ao mundo com seu carro, que conheci no passeio de Lesotho. Pegamos algumas dicas com um guia no dia anterior, lemos algumas coisas na internet e fomos sozinhos, para economizar um pouco. Foi bem tranquilo, é uma trilha bem marcada e não é muito pesada.

Na volta, passamos num mercadinho mais no interior e foi o único lugar da viagem que senti um pouco de preconceito da parte deles com os estrangeiros. Nas outras cidades todos são muito simpáticos e solícitos, estão sempre sorrindo e são extremamente educados. À noite, fizemos um churrasco e ficamos no bar do hostel, bebendo e jogando sinuca para relaxar.

Hora de pegar a estrada novamente, dirigi por 3 h e parei em Durban, onde peguei um avião para Porto Elizabeth para começar a famosa Garden Route, os locais falam que a Wild Coast é mais bonita que a Garden, então se você está planejando sua viagem, vale a pena pesquisar sobre essa parte! 

Rinoceronte um dos 5 five

Primeira parada Jeffreys Bay, conhecida também como Jbay, a capital sul-africana do surf, onde faria minha primeira aula de surf.  Infelizmente, por um erro do Tripadvisor, precisei desmarcar minha aula e mudar a logística dessa parte da viagem (havia marcado e pago um safári marítimo, com mergulho para dois dias depois em Plettenberg, mas o Tripadvisor não passou minha reserva para a empresa e por sorte, quando enviei uma mensagem para confirmar o passeio, me responderam que não tinha nenhuma reserva feita, mas que eu poderia fazer no dia seguinte!)

Em minha opinião, o safári marítimo seria mais interessante do que a aula de surf, então mudei meu roteiro e fui para Storms River, uma cidadezinha no meio do caminho, onde o hostel que eu tinha reservado em Jbay também tinha uma filial e me deixaram trocar. O hostel é o Djembers e é bem alternativo, comandado por um inglês, muito gente fina, o hostel tem um bode de estimação,  as paredes todas escritas e uma decoração bem diferente, mas a foi muito maneiro ficar por lá! O safári marítimo foi incrível, mergulhei com focas, vi golfinhos, pinguins e um tubarão branco!

Queria muito ter mergulhado com as baleias, mas não encontramos nenhuma. Rodei um pouco por Plett, e voltei para Storms River, onde fiz um passeio de Kayak pelas águas geladas do Tsitsikama National Park, na manhã do dia seguinte. Minha sugestão é fazer o passeio perto de meio dia, a agua é muito gelada. Fui logo ao primeiro horário, 9h, e não batia sol nenhum.  Depois do Kayak, o tão esperado Bungee Jump, de 216 m de altura! O Bungee Jump da ponte, o mais alto do mundo! Sem palavras pra descrever essa sensação, mas como dizem por lá: o medo é temporário, mas o arrependimento é eterno! 

Africa do Sul

Sem dúvida uma das coisas mais fodas que já fiz na vida, que adrenalina! A equipe é muito alto astral, colocam uma música bem animada na plataforma para diminuir um pouco a tensão antes do salto e eu não pensei duas vezes, cheguei lá me pesei, coloquei a roupa e quando vi já era a minha vez de saltar… 3, 2, 1, bungeeeeee!!! E a coragem pra se jogar de uma ponte de 216 m de altura, no meio de um Vale? Haha com certeza, eu faria de novo! 

Depois do salto, fui para o restaurante e pedi uma pizza enquanto via o pôr do sol e outro grupo saltando. De lá, voltei para o hostel e fiquei sossegado o resto da noite.  Ao lado do restaurante, tem uma feira de artesanato bem legal, mas você precisa negociar o preço, porque o primeiro preço que eles falam é sempre absurdo (normal no comercio de rua africano, quando for comprar pode “chorar” bastante e fale que é brasileiro, eles gostam da gente! Rs)

Dia seguinte, segui a Garden Route até Knysna onde fiquei hospedado num santuário de elefantes (Knysna Elephant Park), eles têm a opção de caminhada com os elefantes de manhã ou à tarde e a opção de ficar hospedado lá, que dá direito a uma interação matutina, exclusiva, com os elefantes.

O LEÃO ALBINO

Preciso confessar que não gostei muito da caminhada com os elefantes, não me entendam mal, foi muito legal alimentar a Sally, a matriarca do grupo, que foi a elefante que acompanhei, mas não gostei muito das circunstâncias, os elefantes enfileirados, com seus tratadores do lado, caminhando em fila indiana. Minha expectativa para o dia seguinte era bem baixa, mas foi completamente surpreendente! Pude ficar com os elefantes soltos, na parte onde eles eram elefantes de verdade, onde não tinha ninguém mandando, eles andarem, pararem nada disso.

Eram elefantes sendo elefantes, comendo, livres pela montanha! Foi muito incrível, não consegui me encostar em nenhum deles nesse dia (então se a sua ideia for apenas fazer uma foto com esse gigante, a caminhada pode ser uma boa para você), cheguei bem perto, acompanhado de um tratador e ficamos lá por um tempo observando o comportamento dos animais, o que para mim tem muito mais valor!!

Depois dessa experiência, era hora de tomar café e me arrumar para pegar a estrada de novo! Quase em frente ao santuário, tem um complexo onde vendem plantas, queijos, móveis e tem alguns restaurantes também, parei lá porque vi um anuncio de uma apresentação de aves de rapina, onde pude ver de perto e segurar uma coruja e um falcão. Foi bem interessante!

Saindo de lá, fui para um parque bem menos conhecido, e em minha opinião é mais bonito do que todos os outros da Garden, o Robberg Nature Reserve. Sem dúvidas, é um ponto de parada obrigatória, que muita gente não fala! Com 3 opções de trilha (3 km, 5 km e 13 km) fiz a de 5 km, que corta o parque no meio, e foi surpreendente, com vários pontos para observação de baleias e focas e uma praia que é absurdamente linda, aquele lugar ganhou meu coração!

Depois de mais 3h de estrada, cheguei a Mossel Bay, lá optei apenas por um pernoite. Cheguei no final do dia no hostel Santos Express Train Lodge, um hostel irado onde as acomodações são um trem antigo. Da janela do meu quarto vi um dos nasceres do sol mais bonitos que já vi na vida! 

Tomei café e fui para a famosa Boulders Beach, mas não cheguei a entrar, achei o ingresso muito caro para ficar só olhando os pinguins na praia! Tinha lido na internet que havia um pedaço da praia que era aberto ao público e que não precisava pagar a entrada, procurei, mas não encontrei e resolvi seguir viagem! Próxima parada: Cabo da Boa Esperança ou Cabo das Tormentas.

Depois de uma fila gigante para entrar com o carro e outra pra tirar foto com a placa, fiz uma trilha leve visitei o farol e os mirantes de Cape Point (para quem não quiser caminhar muito, eles tem a opção do funicular). Achei muito legal visitar um ponto que ouvimos falar tanto nas aulas de historia, quando éramos pequenos. 

Eric Schauss

Saindo de lá, tive sorte e consegui pegar a famosa Chapman’s Peak aberta, que parece um cenário de filme, a estrada é na beira de um abismo e tem uma vista deslumbrante! Dependendo do vento, eles fecham a estrada, porque muitas pedras costumam cair na estrada.

Finalmente cheguei a Cape Town, já era noite e estava bem cansado, então resolvi apenas sair pra comer e voltei ao hostel para dormir! 

Dizem que Cape Town tem seu próprio clima, enquanto no restante todo do país o inverno é seco e com sol, lá é chuvoso e com bastante neblina! Meus planos foram por água abaixo, literalmente. Não consegui subir Table Mountain, nem ir ao jardim botânico ou conhecer a prisão que virou museu do Nelson Mandela, o mar estava muito mexido para o barco chegar até a ilha. Com as opções limitadas, dei uma volta pela cidade, fiz um walking tour pela bo kaap, bairro das casinhas coloridas, e fui para o V&A Waterfront,  shopping que fica na zona portuária onde tem também uma infinidade de opções de restaurantes! Comprei algumas lembranças, comi e fiquei sossegado no hostel. À noite fui conhecer o karaokê da beer house (uma noitada bem famosa por la) com uns cariocas que tinha conhecido no cabo da boa esperança, mas não me arrisquei a cantar! Rs

No meu último dia completo, fiz South African Airwaysmais algumas compras e consegui uma brecha da chuva e peguei o pôr do sol na Lions Head, montanha em frente à Table Mountain, uma trilha de 1:20h para subir e 1h para descer, com alguns trechos mais escorregadios, mas muito bem marcada para fazer sozinho! No caso, fiz com 2 irlandesas que estavam no mesmo hostel que eu estava. Foi incrível, um fechamento com chave de ouro para minha viagem! 

Na madrugada seguinte, devolvi o carro no próprio aeroporto e peguei meu voo para casa, nas fiquei com vários motivos para voltar lá e espero que consiga ir um dia para ficar mais tempo.

 

 

 

 

Fotos Eric Schauss e amigos 

 

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