Darcy Penteado e o movimento LGBT no Brasil da década de 70

//Darcy Penteado e o movimento LGBT no Brasil da década de 70

Darcy Penteado e o movimento LGBT no Brasil da década de 70


Darcy Penteado, artista plástico, assumiu a homossexualidade publicamente na década de 70, e recebeu o título de ser o primeiro intelectual brasileiro a defender publicamente a bandeira da luta contra o preconceito e a discriminação dos homossexuais.

Em sua trajetória explorou diferentes suportes; desenho, óleo, gravuras, e exerceu o talento da observação generosa da raça humana, de mãos dadas com a ficção literária. Não teve medo de perder seu público mais fiel, colocando a própria intimidade a serviço da arte e da luta contra o preconceito e a intolerância. Com a mesma elegância e precisão, retratou o seu tempo, sem preconceitos. Personalidades da sociedade brasileira e personagens do universo considerado por muitos como mundano receberam o mesmo tratamento artístico.

Em plena ditadura militar no Brasil, no fim da década de 70,  foi um dos fundadores do primeiro jornal voltado a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes (LGBTS), o “Lampião da Esquina“. A  proposta do jornal, era ajudar a irar o estigma marginal do homossexual, ou como dizem, tirá-los do “gueto”. 

Lampião da Esquina

Em comemoração aos 60 anos do artista, a Galeria André realizou uma exposição de Darcy Penteado, em 1986. A pedido de André a exposição foi montada apenas com telas a óleo, diferente da tradição de Darcy penteado que era de misturar com desenho e gravuras. Na abertura houve uma apresentação de Majú de Carvalho com canções da Belle Époque e brasileiras da déc. de 20, a cantora interpretou a “Dama negra” presente em várias telas do artista.

Darcy Penteado

“Darcy pinta com primor a luva, mas sabe – e sugere – o tremor, o suor suspeito que essa luva esconde. Só que com inteligência, sabe que não poderia dar nos a mão, em detrimento a luva ou vice versa . Dá nos ambas, fundidas em uma só coisa em que transparecem tanto as aspirações de pureza quanto as implícitas perversidades. E fá-lo com a mesma reverência ao signo oculto / transparente que os poetas têm. É um poeta. Um poeta de tristezas reprimidas e remotas insinuações de uma liberdade que nunca pode ser viável.” (Darcy e a mão que a luva esconde, texto de Chico Lopes para o catálogo da exposição Darcy Penteado, 60 anos) 

Darcy Penteado


 
 
 
 

 Com colaboração de Ana Maria Lima 

 
 
 
 
 
 

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