Nádia Taquary é a nossa entrevista de sexta-feira Salve a Arte e Salve Oxalá!

//Nádia Taquary é a nossa entrevista de sexta-feira Salve a Arte e Salve Oxalá!

Nádia Taquary é a nossa entrevista de sexta-feira Salve a Arte e Salve Oxalá!


Nessa leva de artistas baianos que estão conquistando inúmeros admiradores e colecionadores, no top desta lista está a artista plástica Nádia Taquary.  Uma mulher que mergulha nas estórias os orixás e emergem com sua força apresentando seus trabalhos artísticos.  Arte contemporânea da melhor qualidade. Uma pesquisa profunda de conhecimentos do Sacro de raiz africana e através desses conhecimentos ela alcança com sua sensibilidade a beleza e o encantamento com seu trabalho. Ultrapassa barreiras e fronteiras e ainda resgata uma cultura milenar. 

Conversamos com Nadia Taquary após seu trabalho ter conquistado os curadores do MoMA.

 Nádia Taquary é representada em Salvador pela Galeria Paulo Darzé e em São Paulo pela Galeria Leme.

 
1) Quando despertou o seu interesse pelas artes plásticas?
Meu contato com a arte , em suas diversas  linguagens ( música, literatura, teatro ..), acontece desde pequena dentro de uma vivência familiar muito rica junto as minhas tias e o meu pai. Porém, só em 2010 , debruçada num estudo sobre os adornos corporais de povos africanos e a sua relação com a joalheria afro-brasileira, a chamada Joia Crioula, surge  a necessidade de trazer, de forma escultórica, uma atualização destes  signos de identidade visando chamar atenção para a importância de  história. 
 
2)  A cultura afro é uma fonte constante de inspiração do seu trabalho quando começou a sua pesquisa?
 
Sim, sem dúvida a minha cultura , a cultura afro-  Brasileira é uma fonte primordial e constante que norteia o meu trabalho,  com todas as suas questões históricas , tensões , força e muita beleza .
 Acredito que desde a adolescência  quando recebi de meu pai, duas joias com muitos detalhes, símbolos, fios agigantados totalmente diferente da estética da joalheria da época e a única coisa que sabia sobre elas, era que havia pertencido à sua avó que passou  para sua mãe, depois para ele e naquele momento  para mim. Neste momento fui fisgada, porém  só aos 39 anos retomo estas questões e passo a ter acesso a livros e fontes  e é quando descubro o maior acervo de “Jóias Crioula“ com acesso ao público que é o Museu Carlos Costa Pinto

Nadia Taquary – Cabeça

 
3) O adereço religioso como é que ela passa para ser esse objeto artístico?

Na verdade, não consigo separar o religioso  do artístico quando se trata de arte numa cultura afro diáspora. 

Nada, na chamada “tradicional arte africana “ existe com esta separação. Nada é puramente estético ou  existindo apenas para uma contemplação . 
Tudo é interligado como uma trama de fortes fios ancorados no sagrado. Tudo em perene  alinhamento. Ayê e Orum são duas dimensões vividas de forma una no existir humano. Portanto, sendo o meu trabalho fruto dessa matriz ancestral, naturalmente sagrado e estética estarão coabitando cada objeto . 
4)  Esse objeto que você cria de alguma maneira ela passa por um ritual para essa interface?
 
Não

Nadia Taquary

5)  Como está sendo criar na pandemia?
No início da pandemia houve um bloqueio criativo . O mundo passava por uma triste e nova situação, as dores e preocupações coletivas rondavam o equilíbrio pedindo atenção para outros lugares . 
Com o passar do tempo fui aprendendo que esse fechamento de demandas externas do cotidiano , tornava-se um novo espaço para  executar projetos que não havia encontrado  tempo para realizar e a partir daí,  entrei num fluxo de estudos , experimentos, trabalhos que me trouxeram equilíbrio, crescimento e satisfação interna o que ajudou muito a lidar com tudo que acontecia em minha dimensão de coletividade . 
 
6)  Conta um pouco sobre o projeto “projeto Searching for Iemanjá”?
Searching Yemanjá” faz parte da pesquisa desenvolvida por um curador do MoMA Thomas Lax que ganhou uma bolsa do Cisneros Institute para pesquisar a arte afro brasileira .
Ele me contactou , bem como a outros artistas e curadores e o recebi em meu ateliê , onde pude apresentar meu trabalho , falar sobre as questões que o perpassam e em especial sobre a obra da série Dinka Orixas , de título: Yemanjá
Está acontecendo uma série de debates com curadores no Black Space para falar sobre arte contemporânea afro brasileira e que faz parte desse  projeto como um todo. 

Dinka Ossain – Nadia Taquary (Foto de Sergio Benutti)

7)  Quais seus planos para 2021?
Hoje, apesar de estar  bem no presente e no agora e a pandemia trouxe isso mais vívido ainda em mim. Tenho estudado muito para um novo projeto e uma exposição , espero, ano que vem. 
 
8) As misturas de materiais e a obra elas vão se formando ou você as antevê prontas / Como é seu processo criativo?

Muitas obras eu visualizo antes , muito nítidas internamente. Cores, formas, materiais…daí em diante começo o estudo sobre tudo o que diz respeito à ela e souber a escolha consciente de casa matéria que a comporá,  assim começa a surgir os detalhes, outros materiais complementares podem surgir bem como signos e símbolos que complementam  toda narrativa em torno dela. 

 
9)Você sonha com  as suas obras?
Sim e é muito bom quando isso acontece, pois está sempre ligada a um contexto dentro do sagrado , proporcionando uma forte experiência com o trabalho e o universo do sagrado . 

Nadia Taquary

Nadia Taquary

Nadia Taquary

Nadia Taquary

Comentários